Evolução do Lago Paranoá

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Definição

Cianobactéria: Organismo unicelular, procariótico, isolado ou colonial, autotrófico fotossintetizante, pertencente ao reino Monera. Antigamente as cianobactérias eram consideradas algas (algas azuis ou cianofíceas). Atualmente são classificadas no grupo das eubactérias.

Eutrofização: É o aumento da concentração de nutrientes, especialmente fósforo e nitrogênio, nos ecossistemas aquáticos, que tem como conseqüência o aumento de suas produtividades.

Florações: causas e conseqüências
Floração: é um crescimento excessivo de algas podendo-se observar alterações na coloração da água: manchas de cor vermelha, marrom ou azul-esverdeada.

- O que causa a ocorrência de florações?
O excesso de nutrientes e/ou períodos de calmaria após chuvas ou ventos fortes.

- Quais as suas conseqüências?
Algumas espécies de algas microscópicas produzem toxinas que causam riscos à saúde humana e ambiental, como: danos ao sistema neurológico ou ao fígado, gastroenterites, doenças respiratórias, alergias, irritação da pele e olhos. Podem ainda causar mortandades de peixes e outros organismos.

 

 

 

 

 

O Lago Paranoá, por se tratar de um lago artificial urbano, sofreu, desde a época da sua construção em 1959, as conseqüências do recebimeno das drenagens urbanas e esgotos da cidade de Brasília e adjacências. Quando completou 10 anos de formação, o Lago Paranoá começava a apresentar o sinal característico da poluição por esgotos domésticos (fenômeno conhecido como eutrofização): o crescimento excessivo de algas microscópicas do grupo Cianobactéria . constituindo um exemplo típico da mudança progressiva do ambiente lacustre. As causas principais do processo de eutrofização eram relacionadas ao lançamentos de esgotos sanitários inadequadamente tratados provenientes, principalmente, das Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) Sul e ETE Norte; carreamento decorrentes de adubos, pelos tributários; e aos detritos de toda natureza, resultantes das atividades urbanas e rurais e, em menor escala, o desmatamento incompleto e inadequado e a não remoção de acampamentos e favelas existentes na área inundada, quando do enchimento. No fim da década seguinte, em 1978, houve um grande desastre ecológico no Braço Sul do lago, representado por uma explosão populacional de cianobactérias (floração de algas), seguida por intenso déficit de oxigênio dissolvido na água e consequente mortandade de toneladas de peixes, causando um mau cheiro que se espalhou por toda a cidade de Brasília (clique para ver reportagens da época).

Floração

Eutrofização

Eutrofização

A Companhia de Saneamento do Distrito Federal (CAESB), empresa originada do Departamento de Águas e Esgotos (DAE) da NOVACAP vem se preocupando em acompanhar e controlar a qualidade da água do Lago Paranoá desde esta época. O "desastre ecológico" de 1978 desencadeou uma série de ações da CAESB voltadas a intensificação do monitoramento e adoção de medidas emergenciais de prevenção de novas florações de algas. Toda a extensão do espelho d'água e em especial o Braço Sul (Braço do Riacho Fundo, ver mapa anexo) passou a ser vistoriada semanalmente para verificação dos níveis de nutrientes ("alimento" para as algas) e da quantidade de cianobactérias existente, como balisadores para o controle destas microalgas pela aplicação do algicida Sulfato de Cobre (Clique aqui para saber mais sobre os programas de monitoramento da qualidade da água feitos pela CAESB) .

A partir deste evento marcante na história do Lago Paranoá, o Lago Paranoá ficou toda a década de 80 em um estado permanente de alerta, ou em outras palavras "na UTI" até que pudessem ser viabilizados os recursos necessários para um amplo e completo Programa de Deespoluição deste ecossistema.

A década de 90, iniciou-se com a finalização das obras das novas Estações de Tratamento de Esgotos (ETES) Sul e Norte, as quais foram inauguradas respectivamente em 1993 e 1994. Com um custo global superior a 200 milhões de dólares, as novas estações possibilitaram, por intermédio de um moderno tratamento terciário dos esgotos gerados em toda a bacia hidrográfica, reduzir em cerca de 70% a carga externa de fósforo ao lago (clique para ver detalhes do programa de despoluição).

Foram necessários mais de 5 anos para que o Lago Paranoá apresentasse sinais claros de despoluição. Em outubro de 1998, a partir de um manejo do tempo de residência da água na represa feito pela CEB (clique para saber mais sobre esta técnica ecohidrológica de descarga conhecida por "flushing"), houve uma mudança completa da qualidade da água do lago, sendo que a transparência da água passou dos tradicionais 50 cm para mais de 2 metros e a quantidade de algas reduziu em mais de 80%, com desaparecimento das cianobactérias.

Essa situação de lago despoluído, com mais de 90% do seu espelho d'água próprio para banho e esportes aquáticos, perdura por mais de 6 anos graças a uma permanente fiscalização das galerias de águas pluviais e controle dos esgotos clandestinos em toda a bacia hidrográfica (clique para ver os resultados alcançados com o programa de despoluição e os usos atuais do espelho d'água do Lago Paranoá)

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